Falar sobre a idade certa para cirurgia refrativa gera muita ansiedade. Pacientes jovens escutam que são muito novos e idosos que são muito velhos. Muitas dessas recomendações generalizadas podem confundir mais do que ajudar.
A verdade é que idade cronológica é só parte da história. Saúde ocular, estabilidade do grau e objetivos visuais pesam mais.
Em qualquer faixa etária, a decisão ideal vem de uma avaliação médica completa e de um diálogo honesto entre paciente e cirurgião.
O mínimo legal e o que a ciência recomenda
No Brasil e na maioria dos países, procedimentos a laser como LASIK são realizados apenas em adultos.
A literatura e as diretrizes clínicas apontam que, além de atingir a maioridade, é importante ter estabilidade da refração. Ou seja, o grau não pode estar mudando.
Em termos práticos, a idade mínima legal existe, ser maior de 18 anos é obrigatório. Mas muitos cirurgiões sugerem aguardar até os 21 ou 25 anos, quando possível, pois isso ajuda a reduzir a chance de ter que refazer cirurgia por mudança do grau.
“Muito jovem”: quando a pressa pode custar visão.
É comum ver jovens que se incomodam com óculos e querem resolver tudo o quanto antes. Porém, operar enquanto o grau ainda está mudando significa maior risco de insatisfação no futuro e necessidade de retoques.
Além do grau, fatores como histórico familiar de miopia progressiva, uso intenso de telas e modos de vida que favoreçam mudanças refracionais devem ser considerados.
Operar cedo pode ser ótimo, desde que a refração esteja estável. Sem estabilidade, é melhor esperar.
“Muito velho”: até quando a cirurgia refrativa faz sentido?
Não existe uma data de validade rígida para cirurgia refrativa. Não há um limite de idade absoluto que impeça o procedimento.
O que realmente conta é:
- o estado do cristalino (a lente natural do olho);
- a saúde da córnea;
- a presença de doenças como catarata ou glaucoma.
Para muitos pacientes na faixa dos 50 anos, ainda é possível realizar procedimentos a laser com bons resultados, desde que os olhos estejam saudáveis.
Quando o cristalino começa a perder transparência (formação de catarata) ou há sinais claros de presbiopia avançada, outras opções podem ser mais vantajosas, como a troca do cristalino por uma lente intraocular (Refractive Lens Exchange — RLE), que corrige grau e presbiopia ao mesmo tempo.
Em resumo, a idade elevada não é automaticamente uma contraindicação, mas exige avaliação cuidadosa das estruturas oculares.
Presbiopia: o ponto de virada por volta dos 40 anos (e onde o PRESBYOND aparece).
A presbiopia começa a incomodar, em média, a partir dos 40 anos: a lente natural do olho perde a flexibilidade necessária para foco próximo. Para quem já fez LASIK jovem, a presbiopia pode significar voltar a usar óculos para leitura ou avaliar novas intervenções.
Uma tecnologia importante e cada vez mais popular é o PRESBYOND® Laser Blended Vision, desenvolvida pela ZEISS. Trata-se de um procedimento a laser que cria um perfil óptico binocular para melhorar a visão em várias distâncias e reduzir a dependência de óculos para leitura, sendo indicada para pacientes com presbiopia.
A Dra. Patrícia Gus reforça que o PRESBYOND amplia as opções para quem tem presbiopia, mas ainda não tem catarata.
Como decidem a idade certa para cirurgia refrativa e critérios além da idade.
A decisão de operar baseia-se numa avaliação completa:
- topografia e espessura corneana;
- estabilidade refracional;
- saúde da superfície ocular;
- presença de catarata;
- expectativas do paciente;
- estilo de vida;
- medicamentos usados;
- histórico de cicatrização;
- presença de doenças autoimunes.
O papel do cirurgião é explicar opções e limites. Às vezes a escolha é LASIK, em outras, PRK. Para pacientes mais velhos ou com cristalino opaco, a RLE pode ser a melhor alternativa.
O mais importante é alinhar expectativas e escolher a técnica que traga a melhor qualidade visual a longo prazo.
Mitos comuns
Mito 1
“Se tenho 18 anos, posso operar e nunca mais precisar de óculos.” Nem sempre. Se o grau ainda muda, o resultado pode não durar. Estabilidade é o que garante previsibilidade.
Mito 2
“Se tenho 60 anos, já não posso fazer nada.” Falso. Muitos pacientes na sexta década podem se beneficiar, mas alternativas como RLE às vezes superam a correção corneana isolada.
Mito 3
“A cirurgia impede que eu tenha catarata no futuro.” Não; a cirurgia refrativa não impede a catarata. Se a condição aparecer depois, ela poderá ser tratada normalmente. Em outras palavras, operação agora não impede soluções futuras.
Perguntas que você deve fazer na consulta
Fazer as perguntas certas nessa etapa ajuda a eliminar incertezas e planejar os próximos passos. Na avaliação, leve questões sobre:
- estabilidade do seu grau;
- riscos de retoque;
- diferença entre técnicas (LASIK, PRK ou RLE);
- como lidar com presbiopia no futuro;
- resultados esperados para o seu estilo de vida (dirigir, trabalho com telas, hobbies).
Se o cirurgião explicar por que recomenda esperar ou avançar, isso mostra cuidado e planejamento.
Para jovens, esperar estabilidade evita surpresas. Para adultos mais velhos, avaliar o cristalino e opções como PRESBYOND ou RLE amplia as soluções possíveis.
Se você está pensando em fazer uma cirurgia refrativa, agende sua consulta com a Dra. Patrícia Gus do Centro de Miopia e Ceratocone para fazer exames completos, tirar dúvidas e construir um plano que respeite sua idade, seus olhos e suas expectativas.
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Porto Alegre/RS