O implante do anel intracorneano é um dos procedimentos cirúrgicos mais indicados para pacientes com ceratocone, mas levanta questionamentos sobre a dor durante e após a cirurgia.
Durante a consulta, o oftalmologista esclarece sobre como o procedimento é realizado sob anestesia tópica, com colírio, e que a grande maioria dos pacientes relata apenas uma sensação de pressão, sem dor.
Porém, entender como o procedimento funciona e conhecer cada etapa ajuda o paciente a chegar à cirurgia com expectativas realistas e mais tranquilidade.
O que é o anel intracorneano?
O anel intracorneano é um dispositivo semicircular, geralmente de polimetilmetacrilato (PMMA), implantado no estroma da córnea, o tecido intermediário que compõe a maior parte de sua espessura. Seu objetivo é remodelar mecanicamente a córnea, reduzindo a curvatura irregular causada pelo ceratocone e melhorando a qualidade da visão.
O ceratocone é uma doença progressiva em que a córnea se afina e assume uma forma cônica, distorcendo a imagem formada na retina. O anel não cura a doença, mas estabiliza e melhora a geometria corneal, tornando a correção óptica mais eficaz, seja com óculos ou lentes de contato.
Quem pode fazer o implante do anel intracorneano?
A indicação do anel intracorneano é feita após avaliação detalhada da topografia e tomografia corneal. Em linhas gerais, os critérios incluem:
- ceratocone diagnosticado com progressão confirmada ou visão insatisfatória com óculos convencionais;
- córnea com espessura adequada para acomodar o anel com segurança;
- ausência de opacidades centrais significativas na córnea;
- ausência de outras doenças oculares que contraindiquem o procedimento.
Pacientes que não toleram mais lentes de contato rígidas e que ainda têm córnea com espessura suficiente são candidatos frequentes.
Como o procedimento é realizado?
A cirurgia é ambulatorial e dura, em média, de 15 a 30 minutos por olho. O paciente não precisa de internação e vai para casa no mesmo dia.
A sequência do procedimento segue as seguintes etapas:
Preparo e anestesia
A anestesia é feita com colírio anestésico aplicado diretamente na superfície ocular. Não há injeção, não há agulha perto do olho e o paciente permanece acordado durante todo o procedimento. A sensação é de dormência na superfície, semelhante à de outros procedimentos oftalmológicos.
Criação dos túneis corneanos
É nessa etapa que o laser de femtossegundo faz diferença. O equipamento cria os túneis dentro do estroma corneal com precisão de microns, sem necessidade de bisturi mecânico na maior parte dos casos.
A precisão reduz o risco de irregularidades e torna o procedimento mais controlável.
O laser de femtossegundo é o mesmo utilizado em cirurgias refrativas modernas, como o SMILE, em que toda a correção da miopia é feita dentro da córnea sem abertura da superfície.
No caso do anel, o laser abre apenas os canais por onde os segmentos serão inseridos.
Inserção dos segmentos
Com os túneis criados, o cirurgião insere os segmentos do anel nos canais usando instrumentos específicos. O número de segmentos (um ou dois) e a espessura de cada um dependem do padrão do ceratocone e dos achados da topografia.
Finalização
Após a inserção, os túneis se fecham sem necessidade de sutura na maior parte dos casos. O cirurgião verifica o posicionamento e aplica colírio antibiótico e anti-inflamatório. O procedimento está concluído.
Dói durante a cirurgia?
Durante o procedimento, o colírio anestésico bloqueia a sensação de dor na superfície ocular.
O que os pacientes relatam com mais frequência é uma sensação de pressão quando o equipamento é posicionado sobre o olho e durante a criação dos túneis. A sensação pode ser desconfortável, mas é transitória e controlável.
Luz intensa do microscópio cirúrgico pode causar desconforto visual temporário, e é comum sentir necessidade de piscar, mas o olho é mantido aberto com um dispositivo específico para isso.
E após a cirurgia?
Nas primeiras horas depois do procedimento, é esperado:
- lacrimejamento;
- sensação de corpo estranho ou areia nos olhos;
- sensibilidade à luz (fotofobia);
- visão temporariamente embaçada.
Esses sintomas melhoram progressivamente ao longo de 24 a 48 horas. O uso de óculos escuros, colírios prescritos e repouso visual nas primeiras horas contribui para o conforto nesse período.
A dor intensa após a cirurgia é incomum. Quando ocorre desconforto mais significativo, geralmente cede com analgésico oral simples indicado pelo médico.
Recuperação e retorno às atividades
A recuperação visual após o implante de anel intracorneano é gradual. Nos primeiros dias, a visão pode oscilar. A estabilização ocorre ao longo de semanas a meses, conforme a córnea se adapta ao novo formato.
As restrições nas primeiras semanas incluem:
- evitar esfregar os olhos;
- não usar lentes de contato até liberação médica;
- evitar piscinas, mar e ambientes com poeira;
- usar óculos de proteção solar ao sair.
O retorno ao trabalho em atividades que não exigem esforço visual intenso costuma ocorrer em poucos dias. Atividades físicas de impacto têm um prazo de liberação definido pelo médico conforme a evolução de cada caso.
O que esperar dos resultados?
O anel intracorneano melhora a regularidade da córnea e, consequentemente, a qualidade da correção óptica. A maioria dos pacientes consegue voltar a usar óculos ou lentes de contato com mais conforto e melhor acuidade visual do que antes da cirurgia.
O procedimento pode ser complementado com outros tratamentos, como o crosslinking corneano, para reforçar a estrutura da córnea e frear a progressão do ceratocone. O planejamento conjunto é definido pelo especialista com base na avaliação individual.
Agende uma consulta com a Dra. Patrícia Gus
A indicação do anel intracorneano depende de exames específicos e de uma avaliação cuidadosa do histórico de cada paciente.
A Dra. Patrícia Gus, especialista no Centro de Miopia e Ceratocone, realiza o diagnóstico completo do ceratocone e define o protocolo cirúrgico mais adequado para cada caso. Entre em contato e agende sua consulta.
Oftalmologista Porto Alegre
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