O ceratocone é uma doença da córnea que altera progressivamente sua espessura e sua curvatura.
Nos estágios iniciais, ele se manifesta apenas como um astigmatismo que aumenta com frequência, algo que passa facilmente por uma simples troca de grau.
O diagnóstico de ceratocone depende de exames que medem a córnea com precisão de micrômetros e comparam essas medidas ao longo do tempo.
É esse conjunto que separa um astigmatismo comum de um ceratocone em fase inicial, e é ele que define o momento certo de intervir.
O ponto de partida para o diagnóstico de ceratocone é a história clínica
A consulta começa com informações que orientam toda a investigação seguinte. Alguns dados aumentam de forma importante a suspeita:
- trocas de grau frequentes, principalmente com aumento de astigmatismo;
- mudança do eixo do astigmatismo entre consultas;
- histórico familiar de ceratocone ou de transplante de córnea;
- hábito de coçar os olhos com força e de forma repetida;
- rinite alérgica, conjuntivite alérgica ou dermatite atópica;
- apneia do sono e hábito de dormir com o rosto pressionado contra o travesseiro;
- síndrome de Down e algumas doenças do tecido conjuntivo.
Os sintomas relatados também têm valor:
- visão embaçada que oscila;
- sombras ao redor das letras enxergando com um olho só;
- halos e raios em luzes noturnas;
- dificuldade de atingir boa visão mesmo com os óculos atualizados.
Refração e acuidade visual
A medida do grau é o primeiro exame objetivo. No ceratocone, os dois achados que chamam atenção são o astigmatismo elevado com eixo oblíquo e a impossibilidade de alcançar visão plena mesmo com a melhor correção possível.
A comparação com receitas antigas ajuda bastante. Um paciente que trocou os óculos três vezes em dois anos, com aumento consistente de astigmatismo, precisa de investigação de córnea mesmo que enxergue razoavelmente bem.
Biomicroscopia na lâmpada de fenda
O exame na lâmpada de fenda permite observar a córnea com aumento e identificar sinais clássicos da doença, que aparecem principalmente em fases mais avançadas:
- estrias de Vogt, linhas finas verticais na porção profunda da córnea;
- anel de Fleischer, depósito de ferro na base do cone;
- afinamento visível da região central ou inferior da córnea;
- cicatrizes corneanas em casos de longa evolução;
- sinal de Munson, projeção da pálpebra inferior quando o paciente olha para baixo.
A ausência desses sinais tem valor limitado, já que o ceratocone inicial não os apresenta. Por isso o exame clínico sozinho tem alcance restrito, e os exames de imagem tornaram-se centrais no diagnóstico de ceratocone.
Topografia de córnea
A topografia mapeia a curvatura da superfície anterior da córnea e gera um mapa colorido, em que as áreas mais curvas aparecem em tons quentes.
No ceratocone, o mapa mostra uma região de encurvamento localizado, geralmente na porção inferior, com assimetria entre a metade superior e a inferior da córnea.
O exame também fornece índices numéricos calculados a partir do mapa, que quantificam a assimetria e ajudam a classificar o grau de suspeita. Esse foi durante muitos anos o principal exame para o diagnóstico de ceratocone.
Tomografia de córnea
A tomografia é o exame que ampliou a capacidade de detecção precoce. Ela analisa a córnea de forma tridimensional, avaliando três informações que a topografia isolada não entrega:
- a curvatura da superfície posterior da córnea, na qual as alterações do ceratocone aparecem primeiro;
- o mapa completo de espessura, ponto a ponto, em toda a extensão da córnea;
- a distribuição e o padrão de progressão dessa espessura do centro para a periferia.
A elevação posterior costuma se alterar antes de qualquer mudança perceptível na superfície anterior. É por isso que a tomografia identifica casos suspeitos em pacientes assintomáticos, incluindo aqueles avaliados para cirurgia refrativa.
Paquimetria
A paquimetria mede a espessura corneana. No ceratocone, ela mostra afinamento na região do cone, que geralmente coincide com o ponto de maior encurvamento.
O valor da espessura tem papel duplo: contribui para o diagnóstico de ceratocone e determina a viabilidade do crosslinking, já que o procedimento exige uma espessura mínima para ser realizado com segurança.
Aberrometria
A aberrometria mede as distorções ópticas do olho além do grau convencional. No ceratocone, a coma vertical aparece bastante aumentada, e essa alteração explica os sintomas de sombra e imagem duplicada que o paciente relata.
O exame também documenta a qualidade de visão de forma objetiva, o que ajuda a acompanhar a evolução e a avaliar o resultado dos tratamentos.
Biomecânica corneana
Alguns equipamentos avaliam como a córnea responde a um estímulo de deformação, medindo sua resistência.
A perda de rigidez precede as alterações de forma, o que dá a esse exame um papel relevante nos casos limítrofes, quando topografia e tomografia deixam dúvida.
O acompanhamento define a progressão
Um exame isolado estabelece o diagnóstico de ceratocone. A comparação entre exames estabelece a progressão, e é ela que indica o tratamento.
Por isso o paciente com ceratocone confirmado repete topografia e tomografia em intervalos definidos pela oftalmologista, geralmente a cada 3 a 6 meses no início do acompanhamento.
Aumento da curvatura máxima, afinamento progressivo ou piora dos índices tomográficos são os critérios que indicam o crosslinking.
Em pacientes jovens, com diagnóstico de ceratocone na adolescência, a tendência de progressão é maior e o acompanhamento costuma ser mais próximo.
Agende sua avaliação
O ceratocone diagnosticado cedo é uma doença controlável, e o diagnóstico depende de exames específicos de córnea indicados pelo especialista.
Se você troca de óculos com frequência, tem astigmatismo alto, casos de ceratocone na família ou pensa em fazer cirurgia refrativa, agende uma consulta com a Dra. Patrícia Gus no Centro de Miopia e Ceratocone.
A avaliação completa da córnea identifica a doença ainda na fase inicial, quando o tratamento tem o melhor resultado.
Oftalmologista Porto Alegre
Av Carlos Gomes 403/608, bairro Auxiliadora
Porto Alegre/RS