A miopia costuma aparecer na infância ou na adolescência e progredir enquanto o olho está em crescimento. A expectativa geral é que o grau estabilize por volta dos 20 anos.
Ainda assim, uma parcela considerável de adultos observa o grau de miopia subindo depois dessa idade, o que gera dúvida sobre o que está acontecendo.
Neste post, vamos tratar sobre o aumento de miopia na vida adulta e suas causas identificáveis.
Por que a miopia acontece?
Na miopia, a luz converge antes de chegar à retina. Isso ocorre principalmente porque o globo ocular cresce mais do que o esperado no sentido do comprimento, um parâmetro chamado comprimento axial.
Cada milímetro a mais nesse eixo representa cerca de 3 dioptrias de miopia. Durante a infância e a adolescência, o olho ainda está em desenvolvimento e esse crescimento pode se prolongar além do ponto ideal.
Fatores genéticos pesam bastante, e fatores ambientais também. Por exemplo, tempo prolongado em atividades de perto e pouca exposição à luz natural estão associados a maior progressão.
O que acontece com o grau de miopia depois dos 20 anos
Na maioria das pessoas, o crescimento ocular cessa no fim da adolescência e o grau se estabiliza. A partir daí, variações de 0,25 a 0,50 dioptria ao longo de vários anos entram dentro do esperado. Alguns cenários, porém, fazem o grau continuar subindo de forma relevante.
Miopia de início tardio
Existe um grupo de pacientes que desenvolve ou aumenta a miopia entre os 20 e os 40 anos.
Esse padrão tem relação com demanda visual intensa de perto, comum em profissões que exigem muitas horas diárias em telas, leitura ou trabalho de precisão. O aumento costuma ser gradual e de menor magnitude que o da infância.
Miopia patológica
Em graus muito altos, geralmente acima de 6 dioptrias, o olho pode continuar alongando mesmo na vida adulta.
Esse quadro exige acompanhamento próximo, porque o alongamento excessivo estica as estruturas internas do olho e eleva o risco de complicações na retina, como descolamento, degenerações periféricas e alterações na região macular.
Catarata inicial
A partir dos 50 anos, o endurecimento do cristalino altera seu índice de refração e produz o que se chama de miopização.
O paciente percebe que voltou a enxergar de perto sem óculos de leitura e que a visão de longe piorou. Nesse caso, o aumento de grau tem origem no cristalino, e a solução é a cirurgia de catarata no momento adequado.
Diabetes descompensado
Variações importantes de glicemia alteram a hidratação do cristalino e mudam o grau temporariamente. Pacientes com diabetes descompensado que relatam oscilações rápidas de visão devem investigar o controle metabólico antes de trocar os óculos.
Ceratocone
O ceratocone provoca aumento progressivo de miopia e astigmatismo, com trocas frequentes de grau e mudança de eixo do astigmatismo. Todo adulto jovem com grau em progressão rápida merece uma avaliação de córnea com topografia e tomografia.
Sinais que pedem uma consulta
- necessidade de trocar os óculos mais de uma vez por ano;
- astigmatismo que aumenta ou muda de eixo entre uma consulta e outra;
- piora da visão noturna com halos ao redor das luzes;
- moscas volantes que surgem de repente ou aumentam em quantidade;
- flashes de luz na visão periférica;
- sombra ou cortina em alguma parte do campo visual.
Os três últimos itens exigem avaliação urgente, porque podem indicar alterações na retina.
Controle de miopia na infância: o que muda o desfecho adulto?
Boa parte do grau que uma pessoa terá na vida adulta é definida no que acontece entre os 6 e os 16 anos. Por isso a oftalmologia deslocou o foco de apenas corrigir a miopia infantil para desacelerar sua progressão.
Entre os recursos disponíveis está o MISIGHT, lente de contato gelatinosa descartável diária desenvolvida especificamente para controle de miopia em crianças.
O desenho óptico da lente corrige a visão central e ao mesmo tempo cria um sinal de desfoque na periferia da retina, que atua reduzindo o estímulo de alongamento do globo ocular. A criança enxerga bem, e o olho recebe menos estímulo para crescer.
Outras estratégias com evidência incluem colírio de atropina em baixa concentração, lentes de óculos com tecnologia de desfoque periférico e ortoceratologia. O aumento do tempo ao ar livre também tem efeito protetor documentado.
A diferença prática é significativa. Uma criança que chega aos 18 anos com 3 dioptrias em vez de 6 tem risco bem menor de complicações retinianas ao longo da vida e mais opções cirúrgicas na idade adulta.
O que fazer quando o grau de miopia adulto está subindo?
O primeiro passo é documentar. Uma consulta com refração completa, medida do comprimento axial quando disponível e exames de córnea estabelece a linha de base.
A comparação entre consultas define se existe progressão real ou apenas variação de medida.
Identificada a causa, a conduta se organiza:
- ajuste da correção óptica com óculos ou lentes de contato adequados;
- tratamento da causa de base quando existe, como catarata ou ceratocone;
- mapeamento de retina periódico em pacientes com miopia alta;
- orientações de ergonomia visual, com pausas regulares durante trabalho de perto e iluminação adequada;
- avaliação de cirurgia refrativa quando o grau estiver documentadamente estável.
Sobre o último ponto, a estabilidade é justamente o critério que define o momento certo de operar. Um paciente com grau ainda em movimento tende a se beneficiar de aguardar e acompanhar antes de considerar a cirurgia.
Miopia alta pede acompanhamento contínuo
Quem tem miopia acima de 6 dioptrias precisa de mapeamento de retina anual, mesmo enxergando bem. O alongamento do globo ocular afina a retina periférica e aumenta o risco de roturas. Lesões identificadas cedo podem ser tratadas com laser em consultório, evitando um descolamento de retina.
Esse acompanhamento é a parte mais importante do cuidado com a miopia alta, e vale independentemente de o paciente usar óculos, lentes ou ter feito cirurgia refrativa.
Agende sua avaliação
Grau que sobe na vida adulta sempre tem explicação, e algumas dessas explicações exigem tratamento além da troca de óculos.
Se o seu grau mudou nos últimos meses, se você tem miopia alta ou quer avaliar o controle de miopia do seu filho, agende uma consulta com a Dra. Patrícia Gus no Centro de Miopia e Ceratocone.
A investigação completa identifica a causa e define o cuidado adequado para o seu caso.
Oftalmologista Porto Alegre
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Porto Alegre/RS