A preocupação se o grau volta depois da cirurgia refrativa faz sentido. O paciente convive há anos com óculos ou lentes de contato, considera um procedimento definitivo e quer saber se o investimento se mantém ao longo do tempo.
De fato, a correção feita a laser é permanente. O tecido removido da córnea não se regenera e o novo formato se mantém. O que pode acontecer, em situações específicas, é o olho continuar mudando por razões que independem da cirurgia.
Como a cirurgia refrativa corrige o grau?
Miopia, hipermetropia e astigmatismo acontecem quando a luz que entra no olho deixa de focar exatamente na retina. Isso decorre da relação entre a curvatura da córnea, o poder do cristalino e o comprimento do globo ocular.
A cirurgia refrativa a laser atua na córnea, remodelando sua curvatura para que o foco caia no ponto certo. Nas técnicas modernas, essa remodelagem é feita com precisão de micrômetros, guiada por exames que mapeiam a superfície e a espessura corneana ponto a ponto.
Uma vez esculpida, a córnea mantém esse formato. É por isso que a estabilidade a longo prazo é alta na maioria dos pacientes.
Situações em que o grau pode mudar depois da cirurgia refrativa
Cirurgia feita antes da estabilização do grau
Esse é o principal motivo pelo qual o grau volta a precisar de correção. O grau de miopia tende a se estabilizar em torno dos 20 a 25 anos, quando o crescimento do olho cessa. Operar antes disso significa corrigir um alvo em movimento.
Por esse motivo, um dos critérios de indicação é a documentação de estabilidade refracional, geralmente por pelo menos 12 meses consecutivos com o mesmo grau. Pacientes com miopia ainda em progressão são orientados a aguardar.
Presbiopia depois dos 40 anos
A partir da quarta década de vida, o cristalino perde elasticidade e a capacidade de focar objetos próximos diminui. Isso é a presbiopia, um processo natural do envelhecimento ocular que atinge todo mundo, incluindo quem já operou.
Nesses casos, o paciente costuma interpretar a necessidade de óculos para leitura como retorno do grau antigo, quando na verdade é uma condição diferente que surgiu depois. A visão de longe permanece corrigida.
O PRESBYOND foi desenvolvido justamente para esse cenário. A técnica cria uma transição suave de foco entre os dois olhos, ampliando a profundidade de visão e permitindo enxergar de longe, na distância intermediária e de perto com bastante independência dos óculos.
É uma alternativa para quem passou dos 40 e quer resolver a visão de perto junto com o grau de longe.
Catarata
Com o passar dos anos, o cristalino perde transparência e endurece, o que altera o poder de refração do olho. Muitos pacientes com catarata inicial percebem aumento de miopia. Nesse caso a mudança de grau tem origem no cristalino, e o tratamento é a cirurgia de catarata com implante de lente intraocular calculada para o novo alvo visual.
Regressão parcial
Em uma parcela pequena de pacientes, principalmente aqueles com graus muito altos, a córnea pode apresentar uma resposta cicatricial que devolve uma fração do grau corrigido.
Isso normalmente ocorre nos primeiros meses e costuma ser de baixa magnitude. Quando incomoda e há espessura corneana suficiente, um retoque resolve.
O papel da técnica escolhida na estabilidade
Nem toda cirurgia refrativa é igual, e a escolha da técnica influencia tanto o resultado imediato quanto a estabilidade ao longo dos anos.
O SMILE é a técnica mais recente entre os procedimentos a laser. Nela, o laser de femtossegundo esculpe um pequeno disco de tecido dentro da própria córnea, chamado lentícula, que é retirado por uma incisão de 2 a 4 milímetros.
A superfície da córnea permanece praticamente intacta.
As vantagens desse desenho aparecem em vários pontos:
- preservação das camadas superficiais e das fibras de colágeno que dão sustentação à córnea;
- menor interferência nos nervos corneanos, o que reduz a chance de olho seco no pós-operatório;
- ausência de retalho, eliminando o risco de deslocamento por trauma;
- recuperação visual rápida, com retorno às atividades em poucos dias;
- estabilidade biomecânica preservada, fator ligado à manutenção do resultado no longo prazo.
A indicação da melhor técnica depende do grau, da espessura e da curvatura da córnea, do diâmetro pupilar e do estilo de vida do paciente. Quem pratica esportes de contato, por exemplo, tem no SMILE uma opção interessante pela ausência de retalho corneano.
O que a avaliação pré-operatória define?
A durabilidade do resultado começa antes da cirurgia, na consulta que determina se o paciente é candidato à cirurgia refrativa e qual procedimento se aplica ao caso dele. Essa avaliação inclui:
- refração estática e dinâmica, com e sem cicloplegia;
- topografia e tomografia de córnea, para mapear curvatura e espessura;
- paquimetria, que mede a espessura corneana em vários pontos;
- avaliação da superfície ocular e do filme lacrimal;
- medida do diâmetro pupilar em ambiente escuro;
- exame de fundo de olho com pupila dilatada;
- histórico de estabilidade do grau nos últimos anos.
Esse conjunto de exames identifica contraindicações que comprometeriam o resultado, como ceratocone em fase inicial, córnea fina demais para a correção pretendida ou olho seco importante.
O que esperar no pós-operatório?
A recuperação visual costuma ser rápida. Boa parte dos pacientes já enxerga bem no dia seguinte da cirurgia refrativa e retoma a rotina em poucos dias, seguindo as orientações de colírios e cuidados.
Nas primeiras semanas é comum haver flutuação da visão ao longo do dia, sensação de areia nos olhos e halos noturnos. Esses sinais diminuem progressivamente conforme a córnea cicatriza e a superfície ocular se reequilibra.
O acompanhamento com a oftalmologista segue em intervalos programados durante o primeiro ano. Depois disso, a consulta anual de rotina continua importante para monitorar a saúde ocular como um todo, incluindo pressão intraocular, retina e cristalino.
Agende sua avaliação
A cirurgia refrativa entrega um resultado duradouro quando a indicação é precisa e o momento é adequado. Se você quer reduzir a dependência dos óculos e tem dúvidas sobre qual técnica se aplica ao seu caso, agende uma consulta com a Dra. Patrícia Gus no Centro de Miopia e Ceratocone.
A avaliação completa define com clareza suas opções e o que esperar de cada uma delas.
Oftalmologista Porto Alegre
Av Carlos Gomes 403/608, bairro Auxiliadora
Porto Alegre/RS