O ceratocone é uma doença que raramente se manifesta de forma estável desde o início.
Na maior parte dos casos, especialmente em pacientes mais jovens, há um período de progressão ativa em que a córnea continua se afinando e adquirindo uma curvatura mais irregular.
Identificar essa progressão do ceratocone com precisão é fundamental para definir o momento certo de intervir e evitar perda visual significativa.
O que significa progressão do ceratocone?
O ceratocone progride quando a córnea sofre alterações estruturais ao longo do tempo: ela afina ainda mais, a curvatura aumenta e a irregularidade se acentua. Isso se traduz em piora da qualidade visual, dificuldade crescente de correção com óculos e, em casos avançados, intolerância às lentes de contato.
A progressão tende a ser mais rápida na adolescência e nos primeiros anos da idade adulta, desacelerando naturalmente a partir dos 30 a 40 anos na maioria dos pacientes. Mas esse padrão varia, e alguns casos evoluem de forma mais agressiva ou por mais tempo.
Sinais que o paciente pode perceber.
A progressão do ceratocone pode se manifestar com sintomas que afetam o dia a dia:
- piora gradual da visão, mesmo com a correção habitual;
- necessidade frequente de trocar o grau dos óculos;
- aumento da sensibilidade à luz e ao brilho (fotofobia);
- visão de halos ou fantasmas ao redor de fontes de luz;
- dificuldade de adaptação às lentes de contato que antes funcionavam bem.
Esses sinais indicam que a córnea está mudando. O problema é que nenhum deles, isoladamente, confirma progressão. A confirmação exige exames objetivos.
Exames que detectam a progressão.
A progressão do ceratocone é diagnosticada com base na comparação de exames realizados em momentos diferentes.
Um único exame mostra o estado atual da córnea, mas a evolução só aparece quando há pelo menos dois exames com intervalo de tempo suficiente para detectar mudanças.
Os principais exames utilizados são:
Topografia e tomografia corneal
A topografia mapeia a curvatura da superfície anterior da córnea. A tomografia vai além e mapeia a superfície anterior e posterior, mede a espessura em todos os pontos e gera dados tridimensionais da córnea.
Equipamentos modernos como o Pentacam e o Galilei são os mais utilizados para esse acompanhamento.
Na comparação entre exames, o especialista observa:
- aumento da curvatura máxima (Kmax);
- redução da espessura no ponto mais fino da córnea;
- expansão ou mudança no padrão de elevação posterior;
- alteração no índice de assimetria entre os meridianos.
Aberrometria
Mede as aberrações ópticas do olho, incluindo as de alta ordem que o ceratocone tipicamente gera. O aumento das aberrações ao longo do tempo é outro indicador de progressão.
Comprimento axial
Em alguns pacientes, especialmente jovens com miopia associada ao ceratocone, o monitoramento do comprimento axial complementa a avaliação.
Com que frequência fazer os exames
O intervalo entre os exames de acompanhamento depende do estágio da doença e do perfil do paciente. Em linhas gerais:
- pacientes jovens ou com ceratocone em estágio inicial: exames a cada seis meses;
- pacientes com maior estabilidade ou idade mais avançada: exames anuais;
- após crosslinking ou outro tratamento de estabilização: protocolo específico definido pelo médico.
A regularidade no acompanhamento é o que permite identificar progressão precocemente, antes que ela se torne clinicamente significativa.
Fatores que aceleram a progressão.
Alguns fatores aumentam o risco de progressão mais rápida e precisam ser considerados no manejo do ceratocone:
- idade jovem ao diagnóstico;
- hábito de esfregar os olhos com frequência ou vigor;
- alergias oculares, que estimulam o ato de coçar;
- histórico familiar de ceratocone progressivo;
- ceratocone diagnosticado em estágio inicial com córnea ainda muito plástica.
O controle das alergias e a eliminação do hábito de esfregar os olhos são condutas simples que o próprio paciente pode adotar para reduzir um fator de risco modificável.
O que fazer quando a progressão é confirmada?
Quando os exames mostram progressão, o tratamento mais indicado para estabilizá-la é o crosslinking corneano.
O procedimento utiliza a combinação de riboflavina (vitamina B2) em colírio com luz ultravioleta A para fortalecer as ligações entre as fibras de colágeno do estroma corneal, tornando a córnea mais rígida e resistente à deformação.
O crosslinking interrompe ou desacelera significativamente a progressão na maioria dos casos. Quanto mais cedo é realizado, menor é o grau de irregularidade corneal acumulado, o que preserva melhor a qualidade visual a longo prazo.
É por esse motivo que pacientes com ceratocone devem ser acompanhados regularmente mesmo quando se sentem bem. A intervenção precoce, antes que a progressão cause dano visual relevante, oferece resultados muito superiores.
Progressão, estabilização e cirurgias refrativas.
Pacientes com ceratocone em progressão ativa precisam ter a doença estabilizada antes de considerar qualquer outra intervenção cirúrgica na córnea.
Procedimentos como o SMILE, indicados para correção de miopia em córneas saudáveis e regulares, exigem integridade estrutural da córnea.
O diagnóstico correto do ceratocone e o monitoramento da progressão são etapas obrigatórias na avaliação pré-operatória de qualquer cirurgia refrativa.
Após a estabilização confirmada por exames seriados, outras opções podem ser avaliadas, incluindo o implante de anel intracorneano para melhorar a geometria corneal e otimizar a correção óptica.
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O acompanhamento do ceratocone exige experiência na interpretação de exames seriados e critério para definir o momento certo de intervir.
A Dra. Patrícia Gus, especialista no Centro de Miopia e Ceratocone, realiza a avaliação completa e o monitoramento individualizado de cada paciente. Entre em contato e agende sua consulta.
Oftalmologista Porto Alegre
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